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Fábrica de Software
Jornal da Ciência
Conhecida como cidade inventiva devido as iniciativas no turismo de eventos
como a Micarande e o Maior São João do Mundo, ela agora se posiciona fortemente
na cultura de desenvolvimento científico-tecnológico como na área de tecnologia
da informação e no algodão colorido
Em 1967 quando o campus II da UFPB (atual UFCG) recebia o primeiro computador
de grande porte do Nordeste e um dos primeiros do Brasil - um mainframe
da IBM de U$$ 500 mil -, começava-se a desenhar um novo cenário para a área
tecnológica local que culminaria com um novo ciclo de desenvolvimento, desta
vez na área de computação.
Passados 34 anos, Campina Grande está entre as noves maiores cidades tecnológicas
do mundo, segundo a revista americana NewsWeek, atraindo para o seu pólo
tecnológico empresas multinacionais, além de voltar a se reposicionar num
outro setor que já foi o seu forte: o algodão. Só que desta vez colorido.
Com 64 empresas de tecnologia da informação, que faturam em torno de R$
27 milhões por ano, o setor de tecnologia cresce a cada ano na cidade e
alguns dos fatores para explicar o surgimento de novos empreendimentos na
área está na qualidade dos profissionais, do ensino e das pesquisas na UFCG
em cursos do Centro de Ciências e Tecnologia como Engenharia Elétrica, Ciência
da Computação, Desenho Industrial e outras áreas afins e a existência de
ambientes como o Poligene e o Parque Tecnológico com o apoio institucional,
técnico e financeiro para a transformação das idéias de jovens empreendedores
em negócios de sucesso como softwares.
Ainda na graduação, muitos estudantes já começam a criar suas próprias empresas
de tecnologia como é o caso do jovem José Castro Neto, 23 anos, que antes
mesmo de terminar o seu curso de Ciência da Computação, já havia estruturado
uma empresa, a Engebit, em parceria com outro estudante de Engenharia Elétrica.
A empresa é uma das cinco que recebem apoio do Poligene. Devido ao seu crescimento
a mesma fez uma fusão com outra de SP e mudou seu nome para Pacto4 Tecnologia.
O sucesso e expansão dos negócios da empresa, já como Pacto4, estão começando
a se tornar realidade com o desenvolvimento de um software chamado Conferência
Web, que trata-se de um ambiente virtual para a realização de entrevistas
coletivas ou reuniões on-line.
Um dos diferenciais desta tecnologia está na gravação do conteúdo gerado
pelos participantes. 'A nossa tecnologia está sendo bem aceita no mercado
e a tendência é crescermos mais. No momento estamos negociando com uma multinacional,
que está presente em mais de 20 países', entusiama-se José Castro, um dos
quatro sócios-diretores da Pacto4.
Para impulsionar o sentido de iniciativa dos alunos da Universidade, foi
introduzida na grande curricular dos cursos do CCT uma disciplina chamada
Empreendedorismo que visa demonstrar os princípios de gestação de uma idéia
e a sua transformação num negócio de sucesso.
A maioria das empresas que estão surgindo segue um pouco o rastro de empresas
campinenses já consolidadas como a Light Infocon e Apel Tecnologia, que
dominam, respectivamente, em torno de 70% dos mercados em que atuam.
A Light Infocon, por exemplo, fundada em 1983, é uma das empresas mais bem
sucedidas do país exportando para EUA, Espanha e, principalmente agora,
para o mercado Chinês.
Consórcio PBTech
Para aumentar as exportações do setor de tecnologia da informação do Estado
foi criado no mês passado, o PBTech, um consórcio formado por 11 empresas,
sendo 10 de Campina Grande e uma de João Pessoa.
O primeiro teste do Consórcio do PBTech será uma das maiores feiras de tecnologia
do mundo, a Cebit, em Hannover, na Alemanha, que ocorrerá entre 12 e 19
de março deste ano.
As 11 empresas estarão no evento mostrando o que o Estado produz, e especialmente
Campina Grande, e buscando firmar novos negócios.
'Com o PBTech, pretendemos criar uma sinergia no setor. Com as 11 empresas
do consórcio teremos um maior peso e visibilidade. Assim poderemos mostrar
a diversidade de produtos da área de tecnologia da informação que a cidade
domina', destaca Alexandre Moura, diretor de Marketing da Light Infocon,
uma das empresas do Consórcio.
Com aporte financeiro da Apex - Agência de Promoções de Exportação e o Sebrae
Paraíba, o programa conta ainda com a participação do Parque Tecnológico,
o Núcleo Softex, Associação Comercial e a Fiep.
O CCT e o Parque Tecnológico impulsionam desenvolvimento
Com 320 docentes, sendo 160 doutores e 160 mestres e mais 110 laboratórios,
o Centro de Ciências e Tecnologia da UFCG é um dos principais responsáveis
por esse desenvolvimento na cidade.
Da Universidade, além de sair muitos dos empreendimentos tecnológicos, é
de lá que saem também 40% da mão-de-obra especializada da área de tecnologia.
Devido a qualidade dos profissionais formados na UFCG, empresas multinacionais
como Honda, Motorola, Coca-Cola e Alumar, entre outras, recrutam todo semestre
estagiários e recém-formados para suas unidades no Brasil.
'O CCT tem um papel significativo no desenvolvimento tecnológico na cidade,
no estado e na região Nordeste, tendo em vista a massa crítica de pesquisadores
altamente qualificados existentes no centro que permite a realização de
pesquisas de ponta explorando a interdisciplinaridade, hoje fundamental
nesta área', enfatiza o diretor do CCT, Benedito Aguiar.
No Poligene, uma das bases do Projeto Genesis (Geração de Novos Empreendimentos
em Software, Informação e Serviços) da Softex, no Depto. de Sistemas e Computação
há cinco empresas desenvolvendo produtos de informática.
Elas recebem infra-estrutura, treinamento, bolsas do CNPq de iniciação tecnológica
(no valor de R$ 240,00) para estagiários ou de desenvolvimento tecnológico
(no valor de R$ 860,00) para as empresas mais avançadas.
O Programa de apoio ao empreendimento é composto de quatro fases básicas:
iniciação, preparação, pré-incubação e estágio avançado - incubação.
As empresas num estágio avançado podem seguir um caminho natural que é a
incubação da empresa no Parque Tecnológico na Incubadora Tecnológica de
Campina Grande.
Criada em 1988, a incubadora tem como missão apoiar os empreendimentos em
áreas como eletro-eletrônica, tecnologia da informação, sistemas agroindustriais
e serviços de consultoria.
O Parque Tecnológico foi fundado em 1984 e é uma instituição privada sem
fins lucrativos. Para garantir o apoio às empresas e aos projetos desenvolvidos,
o Parque movimenta cerca de R$ 3 milhões por ano.
Atualmente são oito empresas incubadas, além de outras que são associadas
ou virtuais que contam com um ambiente com infra-estrutura compartilhada.
Uma das empresas incubadas é a New Ink Tecnologia, que desenvolveu há dois
anos um teste eletrônico para testar cartuchos de impressoras e hoje exporta
para EUA, Mercosul, Europa e está chegando a países do Oriente Médio, com
um faturamento anual de quase R$ 300 mil por ano.
Pólo Tecnológico atrai multinacionais
A referência do pólo tecnológico de Campina Grande se reflete nas empresas
multinacionais que estão se instalando ou firmando parcerias na cidade.
Northel, HP e Motorola são algumas destas empresas.
A primeira, uma empresa canadense da área de telecomunicações, estabeleceu
parceria técnico-científica com o CCT para o desenvolvimento a partir deste
ano de novas tecnologias e absorção de mão-de-obra especializada da Universidade.
Já a HP e Motorola estarão instalando laboratórios no Parque Tecnológico
para o desenvolvimento de hardware e software numa parceria que envolve
também o DSC - Depto. de Sistemas e Computação do CCT.
Numa das partes da parceria da HP com o DSC inclui-se pesquisas sobre uso
e gerência de grids computacionais. Para os primeiros 12 meses do projeto
foram liberados pela empresa R$ 970 mil para as pesquisas, além da atualização
dos computadores do laboratório de graduação do Curso de Ciência da Computação
e para as atividades nos outros laboratórios do Departamento.
Os pesquisadores e professores que estarão participando do projeto são Walfredo
Cirne, Jacques Sauvé e Francisco Brasileiro, mas também diversos alunos
da graduação, do mestrado e doutorado estarão envolvidos.
Prêmios
Nos últimos dois anos, o Parque Tecnológico da Paraíba começou a colher
os resultados dos investimentos no desenvolvimento da região.
Em setembro do ano passado ganhou da Associação Nacional de Empreendimentos
de Tecnologias Avançadas (Anprotec), o Prêmio Projeto Inovador do Ano 2002,
com o Projeto de Incubação de Micros e Pequenas Empresas Agroindustriais
em Comunidades Rurais do Semi-Árido Paraibano.
Em 2001 o Parque conquistou o primeiro lugar no Prêmio Fundação Banco do
Brasil de Tecnologia Social, inclusive representando o Brasil na sede da
Unesco, em Paris.
O projeto vencedor trata-se da criação de camarões marinhos utilizando-se
dos rejeitos de dessalinizador evitando-se a poluição do meio ambiente e
gerando riquezas para a região semi-árida.
A pesquisa de ponta entre o Parque e o CCT da UFCG também se reproduz em
setores altamente especializados. Um destes projetos em parceria foi a criação
do Laboratório de Interface Homem-Máquina (LIHM) criado recentemente pelo
Depto. de Engenharia Elétrica do CCT com o apoio do Parque.
A moda e a tecnologia do algodão colorido
Se nos meados do século passado, a principal atividade da cidade era a comercialização
e exportação do algodão branco, que colocaram a cidade como a principal
economia do interior do Nordeste, hoje essa cultura volta.
Desta vez, porém, com uma nova roupagem. A partir de pesquisas de 14 anos
da Embrapa local, foi desenvolvido o algodão colorido através do melhoramento
da espécie até se obter uma qualidade de algodão orgânico com a viabilidade
comercial.
O algodão desenvolvido pela Embrapa já nasce colorido sem a presença de
agrotóxicos, o que valoriza os produtos fabricados a partir dele, principalmente
no mercado externo.
Para explorar este novo potencial foi criado em 2000 o Consórcio Naturalfashion,
formado por 8 empresas de confecção, tecelagem e artefatos com a participação
de micro e pequenas empresas. O diferencial do algodão colorido tem feito
da cidade um sucesso nas feiras de moda onde tem se apresentado.
Campina Grande é a única cidade do mundo a trabalhar com produção industrial
de produtos e artefatos de algodão colorido.
Outros países trabalham com algodão colorido, mas apenas de forma artesanal
por não ter uma fibra tão resistente quanto a desenvolvida pela Embrapa.
Segundo a presidente do consórcio Naturalfashion, Maisa Gadelha, a fibra
do algodão colorido desenvolvida no estado é considerada a melhor do mundo,
fazendo o diferencial.
Para os próximos dois anos, o Consórcio estará participando de 10 feiras
internacionais. A primeira será em Colônia (Alemanha), em março deste ano,
e a segunda em Nova Iorque (EUA).
Pelo fato da Embrapa local dominar a tecnologia do algodão colorido, a intenção
é tornar o estado num celeiro de plantação deste tipo de algodão. A Apex
(Agência de Promoções de Exportação) tem sido a financiadora do Consórcio.
Até o momento o Naturalfashion tem atuado basicamente com a exposição e
promoção dos produtos no mercado interno e externo.
A partir de agora, com o domínio e ampliação da capacidade de fiação, tecelagem
e confecção dos produtos feitos do algodão colorido, a intenção é partir
também para a comercialização dos mesmos.
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