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Mac transforma Redentorista em escola-modelo

Escola Técnica contribuiu para Campina Grande ser um dos nove pólos tecnológicos do mundo.

JORNAL DO MEC - Junho 2002
Educação Profissional

Luiz Motta

Campina Grande (PB) - Quem chega à cidade ouve inúmeros exemplos da inventividade do povo campinense. Ali, dono de ferro-velho constrói carros importados, pesquisador transforma água em combustível e radialista já transmitiu música por telefone antes da internet.

O segredo de tanta inventividade ninguém sabe ao certo de onde vem. Mas, tem quem atribua ao clima ameno da cidade (600 m acima do nível do mar), que areja o cérebro, ou, quem sabe, às abençoadas mãos de Pedro da Picanha, que alimenta gerações de filhos da terra com uma carne-de-sol cuja maciez é indescritível. O fato é que as inventivas empresas da cidade faturam US$ 100 milhões por ano e atraem olhares do mundo inteiro.

O berço desse pólo é um complexo tecnológico que inclui a Universidade Federal da Paraíba (uma das universidades brasileiras que tem maior número de professores com mestrado ou doutorado por habitante, cerca de um por 865), a Universidade Estadual da Paraíba, o Parque Tecnológico e a sede da Federação das Industrias da Paraíba (Fiep). A Paraíba é o único estado onde a federação das industrias está fora da capital.

Mas há também, parte integrante desse Parque, a Escola Técnica Redetorista (ETER), que tem tantas conquistas para mostrar como a universidade ou as prósperas empresas da cidade.

Fundada em 1975, já formou mais de dois mil técnicos em eletroeletrônica e telecomunicações, hoje empregados não só nas indústrias municipais, mas também em empresas de todo o País. Seus alunos são 90% bolsistas, oriundos das famílias menos favorecidas da cidade. Daí o nome redentorista, uma alusão à libertação por meio do aprendizado. Segundo a gerente pedagógica, Maria Fátima Cavalcanti, "a Escola é, de fato, uma porta para uma vida de dignidade".

Exemplos disso é a aluna Ana Lucia da Silva, de 17 anos. Ana segue os passos da irmã, que se formou há quatro anos no Redentorista e hoje é funcionária de uma empresa em São Paulo. Mas Ana não quer sair da cidade. Faz estágio numa empresa local, que lhe oferece a possibilidade de contratação. Se tudo der certo, por lá pretende se manter.

PROEP - Pioneira e mantida pela Congregação Redentorista Nordestina (CRN), a ETER, já em 1997, adotou a nova legislação da Educação Profissional, sancionada com a LDB de 1996. Deixou de lecionar ensino médio e passou a oferecer cursos de Educação Profissional com currículo modular, dividido em nível básico e técnico. Aboliu as provas como medidora da capacidade dos alunos e implantou os Projetos Integrados, mediante os quais os alunos, professores e currículos são avaliados.

Em junho de 1999, o MEC reconheceu o trabalho da ETER, o com ela assinou convênio de R$ 1,8 milhão para ampliar seu prédio, capacitar professores e modernizar equipamentos.

Computadores de ponta foram adquiridos, permitindo a expasãoo da oferta de cursos técnicos nas áreas de Informática, visando à conjugação da Escola com as empresas high tech da cidade.

Assim, companhias como a Light Infocon, cujo faturamento anual chega a R$ 3,5 milhões, tornou-se parceira da ETER. A empresa, além de oferecer estágio para os alunos, compartilha com a Escola seu principal produto: o LightBase, programa de processamento de dados utilizado por diversos órgãos federais e por empresas dentro e fora do Brasil.

Segundo o diretor da ETER, Padre Hélcio Vicente Testa, "as reformas do Proep trouxeram cara nova para a escola enfrentar os desafios do novo milênio".

 
 
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